O Presidente e a Lei
Vera Lúcia Saleme Colnago
No dia 28 de março, o Editorial de A Gazeta trouxe uma análise séria sobre as “Notórias dificuldades com as leis” do Presidente Lula.
Ele cita algumas medidas que mostram como o Presidente transgride as leis: “Lula é multado pelo TSE por infringir as leis eleitorais”, “Repasse de recursos descumpre Lei orçamentária”, “Plano Nacional de Direitos Humanos tem vários pontos que ferem a constituição”, entre outros.
" Destaco aqui esta última...,
citada no parágrafo anterior, como eixo de minha reflexão que será norteada pela ética da Psicanálise. Quais os efeitos simbólicos produzidos por atos de um Presidente que propõe, por exemplo, um plano que descumpre a Lei maior da nação? E justamente sobre os Direitos Humanos? Qual o papel de um presidente? Será apenas o de um “gestor” que administra obras e as relações políticas internas e externas para o “desenvolvimento de um país”?
E o lugar da representação simbólica? Será que o Presidente Lula tem a dimensão dessa função tão cara aos brasileiros?
A Lei simbólica funda a civilização. É ela que estrutura no psiquismo de um sujeito a Lei que estabelece os limites necessários à convivência com os outros.
Essa Lei deve ser transmitida para que um sujeito adquira condição de ser humano.
Perde-se com a Lei simbólica, também denominada Lei do Pai pela psicanálise, o “bicho homem”.
Freud, no texto paradigmático “O mal estar na civilização”, diz que o homem precisa renunciar parcialmente a sua satisfação pulsional para estabelecer o pacto social. Como se dá essa fundação da Lei em um sujeito?
A família é por excelência o lugar em que se deve acolher o pequeno ser vivo “espécie” e transmitir os alicerces para torná-lo humano, pois o simples fato de nascermos não garante nossa inserção na cultura.
É preciso a intervenção de um outro para a realização da passagem da existência biológica à existência como ser da linguagem.
É a Lei do Pai que, ao promover a interdição do incesto na relação mãe-filho, introduz a criança nessa dimensão. Ela barra a mãe e o filho da satisfação sem limites, obrigando-os a renunciar um gozo pleno. Mas para a construção efetiva de um ser humano são necessárias outras ações simbólicas advindas de outras instituições sociais. Além da família, a escola, assim como os poderes constituídos, são também referentes fundamentais. E por quê? Porque o final do processo de estruturação psíquica realiza-se na juventude. O adolescente precisa encontrar nos ideais e nas autoridades que os representam os valores simbólicos para a edificação de sua subjetividade.
Vivemos no país um enfraquecimento da função paterna de forma avassaladora, que se explicita na perda dos valores do respeito às leis.
A prova mais contundente desse quadro é o exemplo do Presidente Lula que perversamente transgride as Leis. Com esse legado, o que será das futuras gerações?
" Vera Lúcia Saleme Colnago
Psicanalista Membro da Escola Lacaniana de Psicanálise de Vitória e professora do curso de Psicologia das Faculdades Salesianas de Vitória. "
fonte:

Vera Saleme Colnago para mim |
| mostrar detalhes 14:32 (2 horas atrás)  | |
 | de | Vera Saleme Colnago |
para | brandaodasilvaedilene@gmail.com |
data | 30 de setembro de 2010 14:32 |
assunto | textos de Vera Saleme |
enviado por | hotmail.com |
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Edilene,
segue os meu texto.Ele foi publicado no jornal A GAZETA no dia 12 de abril de 2010.Minha fonte de referência www.cesarcolnago.com.br
Abs
Vera
http://mensagensdiversificadas1.blogspot.com
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